{"id":6728,"date":"2021-06-04T16:01:14","date_gmt":"2021-06-04T19:01:14","guid":{"rendered":"https:\/\/pofo.themezaa.com\/?p=6728"},"modified":"2021-08-24T22:56:18","modified_gmt":"2021-08-25T01:56:18","slug":"mediacao-um-olhar-sistemico-para-o-conflito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/algimediacao.com.br\/2021\/mediacao-um-olhar-sistemico-para-o-conflito\/","title":{"rendered":"MEDIA\u00c7\u00c3O: UM OLHAR SIST\u00caMICO PARA O CONFLITO"},"content":{"rendered":"<section class=\"vc_row wpb_row vc_row-fluid  vc_custom_1507696989698\"><div class=\"wpb_column vc_column_container  col-xs-mobile-fullwidth\"><div class=\"vc_column-inner \"><div class=\"wpb_wrapper\"><div class=\"last-paragraph-no-margin\"><p>Por Ana Luiza Isoldi<\/p>\n<p>para ALGI Media\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Aprendemos que o conflito \u00e9 o objeto da Media\u00e7\u00e3o, a ponto de ser conhecida como Media\u00e7\u00e3o de Conflitos. Parte do pressuposto de que os conflitos s\u00e3o inevit\u00e1veis, \u00fateis, parte da vida e que, geralmente, levam a novas ideias e mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>Na obra \u201cComo chegar ao sim\u201d, o best seller da negocia\u00e7\u00e3o colaborativa, que deu origem \u00e0 media\u00e7\u00e3o em Harvard, FISHER, URY e PATTON nos ensinam que:\u00a0\u00a0\u00a0<em>\u201cO desafio n\u00e3o \u00e9 eliminar conflitos, mas transform\u00e1-los. \u00c9 mudar o modo como lidamos com nossas diferen\u00e7as \u2013 em vez de conflitos antag\u00f4nicos e destrutivos, solu\u00e7\u00e3o de problemas de forma conjunta e pragm\u00e1tica\u201d<\/em>\u00a0(2014, p. 13).<\/p>\n<p>A fun\u00e7\u00e3o do mediador \u00e9 apresentada como um terceiro imparcial que apoia as pessoas em conflito para facilitar a comunica\u00e7\u00e3o e incentivar a colabora\u00e7\u00e3o com o objetivo de encontrarem solu\u00e7\u00f5es que atendam aos seus interesses mutuamente e permitam a coexist\u00eancia.<\/p>\n<p>Em Chegando \u00e0 Paz, URY acrescenta:\u00a0<em>\u201cNosso desafio n\u00e3o \u00e9 eliminar as diferen\u00e7as, mas tornar o mundo mais seguro para elas\u201d<\/em>\u00a0(2000, p. 8).<\/p>\n<p>Nessa abordagem do conflito propondo um olhar construtivo pautado nos interesses, elaborada especialmente pelo Programa de Negocia\u00e7\u00e3o de Harvard, com vis\u00e3o interdisciplinar, in\u00fameros conflitos foram analisados. URY, BRETT, GOLDBERG, na obra Resolu\u00e7\u00e3o de Conflitos, chegaram \u00e0 conclus\u00e3o que:<\/p>\n<p><em>\u201cOu se tenta conciliar os interesses em conflito por meio de di\u00e1logo; ou se exp\u00f5e a quest\u00e3o a um terceiro, que decide os direitos de cada lado; ou se decide na base da for\u00e7a, com a greve, por exemplo. Embora o m\u00e9todos dos interesses seja, em geral, o prefer\u00edvel, os m\u00e9todos dos direitos e da for\u00e7a t\u00eam um papel importante, mesmo que seja s\u00f3 de refor\u00e7o, quando o di\u00e1logo n\u00e3o resolve\u201d\u00a0<\/em>(1993, p. 35-53).<\/p>\n<p>Posteriormente, al\u00e9m da For\u00e7a, do Direito e dos Interesses, \u00e9 proposto por URY um quarto m\u00e9todo, paralelo aos outros tr\u00eas, consistente em\u00a0<em>\u201ccurar o relacionamento estremecido\u201d<\/em>\u00a0(2000, p. 136), recomendando gerar o clima apropriado, ouvir e reconhecer, incentivar o pedido de desculpas e ter a reconcilia\u00e7\u00e3o como meta. Explica que\u00a0<em>\u201cmesmo que o conflito pare\u00e7a resolvido ap\u00f3s um processo de media\u00e7\u00e3o, adjudica\u00e7\u00e3o ou sufr\u00e1gio, as feridas permanecem e, com elas, o perigo de retorno do conflito. N\u00e3o se pode considerar um conflito totalmente resolvido enquanto as rela\u00e7\u00f5es feridas n\u00e3o tiverem come\u00e7ado a cicatrizar\u201d<\/em>\u00a0(2000, p. 151).<\/p>\n<p>Para a Constela\u00e7\u00e3o Familiar<em>,<\/em>\u00a0o conflito est\u00e1 \u00e0 servi\u00e7o da sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Ensina HELLINGER que os pequenos conflitos cotidianos,\u00a0<em>\u201cajudam-nos a crescer, a encontrar solu\u00e7\u00f5es melhores, a ampliar nossas fronteiras. Portanto, em \u00faltima an\u00e1lise, contribuem para a seguran\u00e7a e a paz\u201d<\/em>\u00a0(2007, p. 11). Encobertos pelos pequenos est\u00e3o os grandes conflitos, que envolvem quest\u00f5es de vida ou morte, exterm\u00ednio ou sobreviv\u00eancia, extin\u00e7\u00e3o ou manuten\u00e7\u00e3o. Conclui que:<\/p>\n<p><em>\u201cPodemos achar que eles n\u00e3o nos interessam tanto, pois ocorrem em outras partes do mundo, longe de n\u00f3s. Entretanto, quando olhamos para o nosso interior, logo reconhecemos quantas vezes desejamos, em nosso \u00edntimo, que se fa\u00e7a \u2018justi\u00e7a\u2019 a certas pessoas, como a certos criminosos, ou desejamos o mal, e at\u00e9 mesmo o pior, \u00e0s pessoas que nos lesaram. Com isso se manifesta em nossa alma o mesmo movimento que, em outros contextos, causa guerras e disputas, que causa danos aos outros e os leva \u00e0 ru\u00edna.\u00a0Por conseguinte, os grandes conflitos n\u00e3o est\u00e3o t\u00e3o distantes de n\u00f3s como gostar\u00edamos de admitir\u201d\u00a0<\/em>(2007, p. 11).<\/p>\n<p>S\u00e3o provocados por movimentos da alma e\u00a0<em>\u201csustentados pela convic\u00e7\u00e3o de estarmos com a raz\u00e3o \u2013 ou, em outras palavras, pela boa consci\u00eancia\u201d<\/em>\u00a0(2007, p. 11).<\/p>\n<p>Pautados no que \u00e9 correto, certo, justo, conforme a boa consci\u00eancia, al\u00e9m de destruir o outro, passa-se a desejar incorpor\u00e1-lo e apropriar-se do que ele possui. Muitas vezes essa necessidade de Justi\u00e7a abala o equil\u00edbrio entre o dar e o receber, entre ganhos e perdas, e o exagero na busca de compensa\u00e7\u00e3o para equacionar esta balan\u00e7a leva \u00e0 vingan\u00e7a, e assim sucessivamente. As pessoas escalam o conflito num ataque e contra-ataque sem fim.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o cen\u00e1rio que comumente se apresenta na media\u00e7\u00e3o. E o mediador deve estar atento ao sistema das pessoas que est\u00e3o participando do procedimento para ampliar o olhar e compreender o que realmente est\u00e1 por tr\u00e1s das hist\u00f3rias que s\u00e3o narradas. Muito al\u00e9m dos interesses por tr\u00e1s das posi\u00e7\u00f5es, o mediador, com a postura \u00a0sist\u00eamica, ajuda a trazer \u00e0 consci\u00eancia o que \u00e9 essencial em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s lealdades e padr\u00f5es que repetem o destino de algu\u00e9m que os precedeu.<\/p>\n<p>Para solucionar os conflitos, a pergunta-chave na Media\u00e7\u00e3o de Conflitos \u00e9 \u201cpara que voc\u00ea est\u00e1 pedindo o que est\u00e1 pedindo?\u201d, enquanto na Constela\u00e7\u00e3o Familiar a pergunta-chave \u00e9 \u201conde est\u00e1 o amor?\u201d.<\/p>\n<p>Quando o mediador segue o amor, encontra o ponto essencial que levou ao conflito, e assim, torna-se poss\u00edvel desatar os n\u00f3s dos emaranhamentos sist\u00eamicos e abrir caminho para solu\u00e7\u00e3o aos relacionamentos<\/p>\n<p>Toda media\u00e7\u00e3o \u00e9 sist\u00eamica, pois olha para as pessoas e elementos que se relacionam nos sistemas. O conflito \u00e9 um dos elementos que comp\u00f5e o sistema de relacionamentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p>FISHER, Roger; URY, William; PATTON, Bruce. Como chegar ao sim: como negociar acordos sem fazer concess\u00f5es. 3.ed., revista e atualizada. Rio de Janeiro: Solomon, 2014.<\/p>\n<p>HELLINGER, Bert. Conflito e paz: uma resposta. Tradu\u00e7\u00e3o Newton Queiroz. S\u00e3o Paulo: Cultrix, 2007.<\/p>\n<p>HELLINGER, Bert. O amor do esp\u00edrito na Hellinger Sciencia. Tradu\u00e7\u00e3o Filipa Richter, Lorena Richter, Tsuyuko Jinno-Spelter. 1. ed. Patos de Minas: Atman, 2009.<\/p>\n<p>URY, William, BRETT, Jeanne, GOLDBERG, Stephen. Resolu\u00e7\u00e3o de Conflitos. Lisboa: Actual, 1993.<\/p>\n<p>URY, William. Chegando \u00e0 paz: resolvendo conflitos em casa, no trabalho e no dia-a-dia. Rio de Janeiro: Campus, 2000.<\/p>\n<p>Publicado em www.movimentosistemico.com em 10.05.2021, com atualiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por Ana Luiza Isoldi para ALGI Media\u00e7\u00e3o Aprendemos que o conflito \u00e9 o objeto da Media\u00e7\u00e3o, a ponto de ser conhecida como Media\u00e7\u00e3o de Conflitos. Parte do pressuposto de que os conflitos s\u00e3o inevit\u00e1veis, \u00fateis, parte da vida e que, geralmente, levam a novas ideias e mudan\u00e7as. Na obra \u201cComo chegar ao sim\u201d, o best seller da negocia\u00e7\u00e3o colaborativa, que deu origem \u00e0 media\u00e7\u00e3o em Harvard, FISHER, URY e PATTON nos ensinam que:\u00a0\u00a0\u00a0\u201cO desafio n\u00e3o \u00e9 eliminar conflitos, mas transform\u00e1-los. \u00c9 mudar o modo como lidamos com nossas diferen\u00e7as \u2013 em vez de conflitos antag\u00f4nicos e destrutivos, solu\u00e7\u00e3o de problemas de forma conjunta e pragm\u00e1tica\u201d\u00a0(2014, p. 13). A fun\u00e7\u00e3o do mediador \u00e9 apresentada como um terceiro imparcial que apoia as pessoas em conflito para facilitar a comunica\u00e7\u00e3o e incentivar a colabora\u00e7\u00e3o com o objetivo de encontrarem solu\u00e7\u00f5es que atendam aos seus interesses mutuamente e permitam a coexist\u00eancia. Em Chegando \u00e0 Paz, URY acrescenta:\u00a0\u201cNosso desafio n\u00e3o \u00e9 eliminar as diferen\u00e7as, mas tornar o mundo mais seguro para elas\u201d\u00a0(2000, p. 8). 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