{"id":23214,"date":"2020-05-09T13:06:10","date_gmt":"2020-05-09T16:06:10","guid":{"rendered":"https:\/\/algimediacao.com.br\/2021\/?p=23214"},"modified":"2021-08-24T16:45:22","modified_gmt":"2021-08-24T19:45:22","slug":"mediacao-com-profundidade-como-aprendi-a-lidar-com-a-imparcialidade-e-a-neutralidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/algimediacao.com.br\/2021\/mediacao-com-profundidade-como-aprendi-a-lidar-com-a-imparcialidade-e-a-neutralidade\/","title":{"rendered":"MEDIA\u00c7\u00c3O COM PROFUNDIDADE: COMO APRENDI A LIDAR COM A IMPARCIALIDADE E A NEUTRALIDADE\u2026"},"content":{"rendered":"<section class=\"vc_row wpb_row vc_row-fluid  vc_custom_1507696989698\"><div class=\"wpb_column vc_column_container  col-xs-mobile-fullwidth\"><div class=\"vc_column-inner \"><div class=\"wpb_wrapper\"><div class=\"last-paragraph-no-margin\"><p>Ana Luiza Isoldi<a href=\"https:\/\/algimediacao.com.br\/mediacao-com-profundidade-como-aprendi-a-lidar-com-a-imparcialidade-e-a-neutralidade\/#laura\">*<\/a><\/p>\n<p>Em todos os cursos de capacita\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o, palestras, workshops, congressos, livros, teses, legisla\u00e7\u00e3o e C\u00f3digos de \u00c9tica a que tive acesso para compreender a media\u00e7\u00e3o, me deparei com os intrigantes conceitos da imparcialidade e da neutralidade.<\/p>\n<p>A Lei de Media\u00e7\u00e3o (Lei 13.140\/2015, art. 2\u00ba, inc. I), o C\u00f3digo de Processo Civil (Lei no. 13.105\/2015, art. 166) e a Resolu\u00e7\u00e3o no. 125\/2010, do Conselho Nacional de Justi\u00e7a falam somente da imparcialidade como princ\u00edpio norteador a ser observado pelo mediador.<\/p>\n<p>O C\u00f3digo de \u00c9tica que norteia os mediadores judiciais, define como imparcialidade o\u00a0<em>\u201cdever de agir com aus\u00eancia de favoritismo, prefer\u00eancia ou preconceito, assegurando que valores e conceitos pessoais n\u00e3o interfiram no resultado do trabalho, compreendendo a realidade dos envolvidos no conflito e jamais aceitando qualquer esp\u00e9cie de favor ou presente\u201d<\/em>\u00a0(Res. CNJ no. 125\/10, art. 1\u00ba, inc. IV, anexo III).<\/p>\n<p>Este conceito me parece mesclar as ideias contidas tanto na imparcialidade quanto na neutralidade.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o inicial que extrai sobre esta diferencia\u00e7\u00e3o foi que:<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>imparcialidade<\/strong>\u00a0refere-se a aspectos objetivos, ao tratamento igualit\u00e1rio e sim\u00e9trico aos mediandos, em termos de procedimento, ou seja,\u00a0a mesma aten\u00e7\u00e3o, zelo e oportunidades\u00a0devem ser oferecidas a todos os envolvidos.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>neutralidade<\/strong>\u00a0refere-se aos aspectos subjetivos, aos valores, hist\u00f3ria e experi\u00eancias do pr\u00f3prio mediador, que deve se sentir confort\u00e1vel para conduzir o procedimento sem que quest\u00f5es suas sejam trasladadas \u00e0 media\u00e7\u00e3o de modo a influenciar ou substituir a vontade dos mediandos.<\/p>\n<p>Nessa linha, a imparcialidade \u00e9 mais f\u00e1cil de explicar j\u00e1 que a no\u00e7\u00e3o de equidist\u00e2ncia, isonomia, simetria \u00e9 familiar em outros contextos, tal como o judicial. Se pedir para um mediando apresentar sua percep\u00e7\u00e3o do conflito, dar\u00e1 a mesma oportunidade aos demais. Se resumir sua fala ao final do relato, sintetizar\u00e1 as que se sucederem. Se convidar um mediando para uma reuni\u00e3o privada, oferecer\u00e1 o mesmo aos outros. E assim sucessivamente. Isto pode ser traduzido como\u00a0<em>\u201cagir com aus\u00eancia de favoritismo, prefer\u00eancia ou preconceito\u201d.<\/em><\/p>\n<p>A neutralidade me parece um conceito mais complexo.<\/p>\n<p>A doutrina aponta que pode significar n\u00e3o tomar partido; n\u00e3o se envolver afetiva e pessoalmente; ser percebido como neutro; n\u00e3o estabelecer alian\u00e7as; manter equidist\u00e2ncia; n\u00e3o levar\u00e1 para a mesa suas prefer\u00eancias; n\u00e3o contribuir\u00e1 com op\u00e7\u00f5es de solu\u00e7\u00e3o; n\u00e3o usar\u00e1 seu sistema valorativo.<\/p>\n<p>Em resumo, o mediador deixar\u00e1 em suspenso seu universo substituindo-o durante a media\u00e7\u00e3o pelo universo valorativo e cognitivo dos mediandos (devendo-se ressaltar que pode ser diferente para cada um deles), afastando-se da ideia de pensar sobre o racioc\u00ednio bin\u00e1rio de quem tem raz\u00e3o para valorizar igualmente os relatos e informa\u00e7\u00f5es que v\u00e3o se apresentando.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que isto \u00e9 poss\u00edvel? Ser\u00e1 que na pr\u00e1tica \u00e9 assim que acontece?<\/p>\n<p>Muitas vezes me deparei com a ang\u00fastia de ter um lado meu recomendando seguir com este rigor a neutralidade, impactando o menos poss\u00edvel, levando pouco de mim e mais da t\u00e9cnica, e outro lado meu mostrando que tinha recursos que poderiam ser \u00fateis e que deveriam ser trazidos \u00e0quele contexto, para gerar reflex\u00e3o, clareza.<\/p>\n<p>Me parece ing\u00eanuo acreditar que o mediador conseguir\u00e1, na condu\u00e7\u00e3o do procedimento, despir-se de sua hist\u00f3ria, de sua forma\u00e7\u00e3o, de sua origem, de suas cren\u00e7as, de seus valores pessoais, de sua vis\u00e3o de mundo, de seu senso de Justi\u00e7a, de suas ideologias sociais, pol\u00edticas, econ\u00f4micas, religiosas. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel libert\u00e1-lo de seu inconsciente, de seus registros, de sua mem\u00f3ria, de seus desejos, de sua viv\u00eancia.<\/p>\n<p>Assim, me contentava com a neutralidade\u00a0<em>poss\u00edvel,\u00a0<\/em>ou seja, aquela exercida para criar um ambiente confort\u00e1vel e de confian\u00e7a aos participantes, de tal forma que n\u00e3o transcenda quest\u00f5es do mediador para o procedimento nem afete a vontade dos mediandos.<\/p>\n<p>Nesta fase, me apeguei muito \u00e0\u00a0<strong>confian\u00e7a<\/strong>\u00a0e \u00e0\u00a0<strong>legitimidade<\/strong>. Sentia que o cr\u00e9dito dos mediandos na compet\u00eancia, talento, habilidades e qualidades profissionais do mediador, era suficiente para pensar que o trabalho seria bem feito e corresponderia \u00e0s suas expectativas. Investir em dilig\u00eancia, zelo, prud\u00eancia, t\u00e9cnica, aperfei\u00e7oamento, paci\u00eancia, aten\u00e7\u00e3o, empatia, serenidade, me dava a sensa\u00e7\u00e3o de que os mediandos me outorgavam legitimidade, me\u00a0reconheciam como a pessoa adequada para intervir na situa\u00e7\u00e3o, com a confian\u00e7a de\u00a0estar autorizada a tocar em temas delicados, conduzir o procedimento e buscar o entendimento entre eles.<\/p>\n<p>Mas me deparava com uma dificuldade pr\u00e1tica imensa ao tentar explicar estes conceitos aos mediandos e seus advogados.<\/p>\n<p>Minha sensa\u00e7\u00e3o era de me olhavam pensando\u2026 Papai Noel existe, Coelho da P\u00e1scoa e Fada do Dente tamb\u00e9m\u2026<\/p>\n<p>Analisando minha pr\u00e1tica retroativamente, acho que nunca me senti compreendida ao conotar a neutralidade.<\/p>\n<p>Evoluindo nos conceitos, tomei contato com o que a doutrina argentina chama de\u00a0<strong>multiparcialidade<\/strong>, que, numa simplicidade incr\u00edvel, explica que\u00a0mediador trabalha ao mesmo tempo para todos os mediandos,<\/p>\n<p>Ual, que revolu\u00e7\u00e3o! \u00c9 t\u00e3o mais f\u00e1cil explicar a fun\u00e7\u00e3o do mediador a partir desta perspectiva!<\/p>\n<p>Com isso, resolvi uma parte desta complexidade que \u00e9 construir o papel como terceiro que interv\u00e9m num conflito.<\/p>\n<p>Experimentei por bastante tempo, e comecei a perceber o quanto de mim estava permeando as media\u00e7\u00f5es em que atuava.<\/p>\n<p>Novas reflex\u00f5es sobre a constru\u00e7\u00e3o desta \u201cterceiridade\u201d, me levaram a um paradoxo.<\/p>\n<p>Como, ao mesmo tempo, o mediador pode intervir e ser neutro?<\/p>\n<p>Os mediandos iniciam a media\u00e7\u00e3o quando percebem que sozinhos n\u00e3o est\u00e3o dando conta. E quando chamam um mediador esperam justamente que ele traga uma luz, que intervenha, de um lugar diferenciado, claro, mas que fa\u00e7a a diferen\u00e7a, criando um clima favor\u00e1vel e em prol de todos os mediandos. Este lugar diferenciado consegue ser puramente neutro?<\/p>\n<p>O olhar sist\u00eamico nos indica que a simples presen\u00e7a de um observador produz efeitos.<\/p>\n<p>Quando duas pessoas est\u00e3o conversando e entra uma terceira no lugar \u00e9 evidente que algo muda, \u00e0s vezes param de falar, outras se nota que uma sensa\u00e7\u00e3o de invas\u00e3o, outras vezes deixam a primeira rela\u00e7\u00e3o de lado para acolher a pessoa que chega e inclu\u00ed-la.<\/p>\n<p>Ou seja, produz efeitos e modifica a intera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, como acreditar que o mediador n\u00e3o produz efeitos, n\u00e3o leva nada de si para a media\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>A influ\u00eancia do mediador \u00e9 inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel participar de alguma intera\u00e7\u00e3o humana sem impactar, sem outorgar alguma contribui\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>\u00c9 inevit\u00e1vel sentir resson\u00e2ncia nas rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O mediador tamb\u00e9m se relaciona, sente, julga, respira, vive.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 o que fazemos com tudo isto?<\/p>\n<p>Com as constela\u00e7\u00f5es, aprendi a dizer \u201csim\u201d, a aceitar que cumpro minha fun\u00e7\u00e3o com toda a minha hist\u00f3ria, com todos os meus sistemas, com toda a minha experi\u00eancia, bagagem, com tudo que j\u00e1 vi, vivi e aprendi, e generosamente coloco \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o daquelas pessoas, com quem tamb\u00e9m sigo aprendendo, num ciclo permanente de trocas que a intera\u00e7\u00e3o humana propicia e nos nutre.<\/p>\n<p>\u00c9 isto que me movimenta na media\u00e7\u00e3o, que me faz gostar de trabalhar com pessoas em fases delicadas, exalando emo\u00e7\u00e3o e buscando clareza para tomar decis\u00f5es importantes para elas.<\/p>\n<p>A partir do reconhecimento de que o mediador faz parte do sistema e impacta no procedimento, respeitando a vontade das pessoas, me sinto com liberdade de n\u00e3o precisar controlar a neutralidade e poder atuar de modo mais preciso e eficiente, a partir da conex\u00e3o e do v\u00ednculo, que \u00e9 o que torna a minha escuta efetivamente ativa.<\/p>\n<p>Abandonar a postura passiva da neutralidade com a abstin\u00eancia proveniente de tudo o que o mediador n\u00e3o \u00e9: n\u00e3o \u00e9 julgador, n\u00e3o \u00e9 terapeuta, n\u00e3o \u00e9 advogado\u2026 n\u00e3o \u00e9 humano\u2026 foi um passo decisivo na minha forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O mediador n\u00e3o \u00e9 uma pessoa alheia e sem interesse pr\u00f3prio sobre como ser\u00e1 resolvido o conflito.<\/p>\n<p>Assumir que gosto de gente e me conecto com os mediandos, e \u00e0s vezes at\u00e9 cometo o delito de fazer uma pequena alian\u00e7a tempor\u00e1ria num\u00a0<em>caucus<\/em>, com consci\u00eancia de todo este movimento, me faz sentir segura.<\/p>\n<p>Assumir que gosto quando as pessoas fazem acordo ou encontram uma solu\u00e7\u00e3o a partir do meu trabalho porque acrescenta benef\u00edcios \u00e0 minha reputa\u00e7\u00e3o, me faz ter a certeza de estar na profiss\u00e3o certa.<\/p>\n<p>Assumir que enquanto ou\u00e7o os mediandos passam v\u00e1rios julgamentos na minha cabe\u00e7a, me faz sentir, ainda bem, imperfeita!<\/p>\n<p>Como apagar minha forma\u00e7\u00e3o em Direito e trabalho como assessora jur\u00eddica no tribunal depois de mais de dez anos buscando quem tem raz\u00e3o?<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o conhe\u00e7o nenhum mediador que fique frustrado, triste, incomodado quando h\u00e1 acordo, embora tenha plena clareza de que este n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico ou primordial resultado ou benef\u00edcio.<\/p>\n<p>E quanto mais me aprofundo no estudo da teoria dos sistemas, mais me conven\u00e7o de que o mediador faz parte e est\u00e1 dentro do procedimento da media\u00e7\u00e3o, com todos os sentidos, habilidades, recursos e empenho.<\/p>\n<p>Como ent\u00e3o exercer esta fun\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Criar conex\u00e3o com as pessoas e encontrar algo de afinidade com todos os mediandos para gostar genuinamente de cada um deles, gerar v\u00ednculo, e, assim, equilibrar a atua\u00e7\u00e3o do mediador no procedimento.<\/p>\n<p>Reconhecer, legitimar e compreender o lugar de cada um dos mediandos naquele sistema. Todos fazem parte e t\u00eam o seu lugar.<\/p>\n<p>Gostar de gente e de suas hist\u00f3rias. Ter curiosidade pela hist\u00f3ria de cada mediando, adotando uma postura de ignor\u00e2ncia para saber mais.<\/p>\n<p>Acreditar na capacidade das pessoas de fazer suas pr\u00f3prias escolhas e serem protagonistas de suas vidas.<\/p>\n<p>Transformar os julgamentos em hip\u00f3teses. O julgamento \u00e9 um mecanismo de defesa. Na media\u00e7\u00e3o, costumo aceitar meus julgamentos e transform\u00e1-los em hip\u00f3teses, explorando com o mediandos para checar se algo ali faz sentido.<\/p>\n<p>Cuidar da vaidade e n\u00e3o cair na sedu\u00e7\u00e3o dos mediandos para gerar alian\u00e7as.<\/p>\n<p>Buscar continuamente autoconhecimento, que facilita a percep\u00e7\u00e3o dos emaranhamentos, identifica\u00e7\u00f5es, transfer\u00eancias, contratransfer\u00eancias, resist\u00eancias, lealdades que permeiam a rela\u00e7\u00e3o do mediador com os mediandos, de modo a conseguir se dar conta a tempo de voltar ao prumo.<\/p>\n<p>Compreender o papel do mediador como algu\u00e9m que apoia as pessoas no caminho do conflito para transitar os processos de mudan\u00e7a, identificar para onde querem ir e planejar como chegar l\u00e1, pautadas na colabora\u00e7\u00e3o, na autonomia, na voluntariedade, no protagonismo e na capacidade de tomar decis\u00f5es.<\/p>\n<p>A voluntariedade \u00e9 a ess\u00eancia da media\u00e7\u00e3o e deve ser respeitada em grau m\u00e1ximo.\u00a0Os mediandos merecem uma media\u00e7\u00e3o com profundidade.<\/p>\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-background has-very-dark-gray-background-color has-very-dark-gray-color is-style-wide\" \/>\n<h6 id=\"laura\">Ana Luiza Isoldi<\/h6>\n<p>* Advogada e mediadora, certificada pelo ICFML \u2013 IMI, formada tamb\u00e9m em din\u00e2mica dos grupos, coaching, constela\u00e7\u00e3o e hospedagem. Pratica Ikebana, adora pessoas, poesia e plantas, estuda todos os dias e \u00e9 m\u00e3e da Lorena, com quem aprendeu a brincar. Formada pelo Mackenzie, fez mestrado em Direito do Estado na PUC\/SP e em Negocia\u00e7\u00e3o e Media\u00e7\u00e3o na IUKB (Argentina). Fundou a ALGI, consultoria em gest\u00e3o de conflitos e media\u00e7\u00e3o, e participa da Media\u00e7\u00e3o Online \u2013 MOL como Head de Media\u00e7\u00e3o. Desenvolveu ao longo de sua vida profissional fun\u00e7\u00f5es institucionais no CONIMA, CBAr, ICFML, OAB, SBDG. Em cursos, workshops e palestras encontra espa\u00e7o para estar com pessoas e desenvolver sua criatividade.<\/p>\n<p>Texto originalmente publicado na p\u00e1gina \u201cMediando por a\u00ed\u201d\u00a0<a href=\"https:\/\/www.mediandoporai.com\/single-post\/2018\/10\/12\/Media%C3%A7%C3%A3o-com-profundidade-como-aprendi-a-lidar-com-a-imparcialidade-e-a-neutralidade\">https:\/\/www.mediandoporai.com\/single-post\/2018\/10\/12\/Media\u00e7\u00e3o-com-profundidade-como-aprendi-a-lidar-com-a-imparcialidade-e-a-neutralidade<\/a>.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ana Luiza Isoldi* Em todos os cursos de capacita\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o, palestras, workshops, congressos, livros, teses, legisla\u00e7\u00e3o e C\u00f3digos de \u00c9tica a que tive acesso para compreender a media\u00e7\u00e3o, me deparei com os intrigantes conceitos da imparcialidade e da neutralidade. A Lei de Media\u00e7\u00e3o (Lei 13.140\/2015, art. 2\u00ba, inc. I), o C\u00f3digo de Processo Civil (Lei no. 13.105\/2015, art. 166) e a Resolu\u00e7\u00e3o no. 125\/2010, do Conselho Nacional de Justi\u00e7a falam somente da imparcialidade como princ\u00edpio norteador a ser observado pelo mediador. O C\u00f3digo de \u00c9tica que norteia os mediadores judiciais, define como imparcialidade o\u00a0\u201cdever de agir com aus\u00eancia de favoritismo, prefer\u00eancia ou preconceito, assegurando que valores e conceitos pessoais n\u00e3o interfiram no resultado do trabalho, compreendendo a realidade dos envolvidos no conflito e jamais aceitando qualquer esp\u00e9cie de favor ou presente\u201d\u00a0(Res. CNJ no. 125\/10, art. 1\u00ba, inc. IV, anexo III). Este conceito me parece mesclar as ideias contidas tanto na imparcialidade quanto na neutralidade. 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